Reunimos o que estudos clínicos publicados nos últimos anos mostram sobre o uso da câmara hiperbárica (OHB) como terapia adjuvante no pós-operatório do transplante capilar por FUE — da redução da foliculite à velocidade de cicatrização das crostas.
* Resultados de estudos clínicos específicos, detalhados na seção "O que os estudos mostram" — não são garantia de resultado individual.
Sessão de oxigenoterapia hiperbárica no período pós-operatório de um transplante capilar (FUE).
Entender o que acontece com os folículos transplantados nos primeiros dias ajuda a entender por que pesquisadores começaram a testar a hiperbárica como apoio nessa fase.
Durante o transplante capilar pela técnica FUE (Follicular Unit Extraction), cada folículo é retirado da área doadora e reimplantado individualmente na área receptora. Esse processo causa pequenos traumas nos tecidos e interrompe temporariamente parte da microcirculação local — um fenômeno conhecido como lesão de isquemia-reperfusão.
Nos primeiros dias, é comum o surgimento de pequenas crostas sobre os pontos de inserção, sensação de coceira e, em alguns casos, foliculite (inflamação dos folículos recém-implantados). Também é esperado um período de queda transitória de fios ("shock loss"), tanto na área transplantada quanto, às vezes, na área doadora — parte normal do processo de adaptação dos folículos ao novo ambiente.
É justamente nesse período inicial — entre o dia da cirurgia e a primeira semana de recuperação — que estudos têm avaliado se sessões de oxigenoterapia hiperbárica, usadas como terapia adjuvante, podem tornar essa fase mais confortável e potencialmente reduzir complicações.
Resumo do mecanismo que sustenta as hipóteses testadas pelos estudos descritos mais abaixo.
Na câmara hiperbárica, o paciente respira oxigênio a 100% sob pressão de cerca de 2,0 a 2,5 vezes a pressão atmosférica normal (2,0 a 2,5 ATA). Sob essa pressão, uma quantidade muito maior de oxigênio se dissolve diretamente no plasma sanguíneo — não apenas o transportado pela hemoglobina —, o que permite que esse oxigênio extra alcance tecidos com circulação reduzida, como a pele recém-operada do couro cabeludo.
Esse aporte extra de oxigênio está associado, na literatura científica, ao estímulo da formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese), ao aumento da produção de colágeno e à redução do processo inflamatório e do inchaço local. A terapia também tem propriedades bactericidas que podem contribuir para reduzir o risco de infecção em pequenas feridas, como as deixadas pelos pontos de inserção dos enxertos.
Saiba mais sobre o tratamento
Como funciona a oxigenoterapia hiperbárica: perguntas frequentes →Os estudos disponíveis até o momento são de pequeno porte, mas apontam de forma consistente para benefícios na recuperação — especialmente em relação à foliculite, à queda inicial de enxertos e ao tempo de cicatrização das crostas.
Em um estudo com 34 pacientes com alopecia, divididos em grupo controle (apenas FUE) e grupo OHB (FUE + hiperbárica), a incidência de coceira e foliculite foi significativamente menor no grupo que recebeu sessões de hiperbárica, avaliada na 4ª semana e no 6º mês após a cirurgia.
Uma revisão de estudos sobre hiperbárica em procedimentos estéticos encontrou, com evidência de nível II, uma taxa de queda (shedding) de enxertos significativamente menor após o uso de OHB. A sobrevivência final dos fios foi semelhante entre os grupos (96,9% com OHB vs. 93,8% no controle) — ou seja, o principal ganho observado foi durante o processo de recuperação, não necessariamente no resultado final.
Em uma série de 5 pacientes submetidos a FUE, a hiperbárica foi iniciada poucas horas após o procedimento e mantida diariamente na primeira semana. Todos os pacientes apresentaram eliminação completa das crostas em até 5 dias, sem comprometer a viabilidade dos enxertos — o que permitiu retomar a rotina de higiene mais cedo que o habitual.
Um resumo de como as sessões de OHB se encaixaram na rotina de recuperação nos estudos descritos acima. Os protocolos variam entre clínicas — esta linha do tempo é apenas ilustrativa.
Os folículos são extraídos da área doadora e implantados na área receptora. Inicia-se o processo natural de cicatrização e adaptação dos enxertos.
No estudo de caso de 2025, a primeira sessão de OHB foi realizada já 4 a 6 horas após o procedimento. Em outros protocolos, as sessões começam apenas no dia seguinte — sempre conforme orientação do cirurgião responsável.
Os estudos utilizaram sessões diárias de 60 a 90 minutos, em pressões entre 2,0 e 2,4 ATA, por 6 a 7 dias consecutivos — coincidindo com a fase mais sensível da recuperação dos enxertos.
No estudo de caso de 2025, todos os pacientes que fizeram OHB apresentaram eliminação completa das crostas nesse intervalo, possibilitando retomar a lavagem normal do couro cabeludo mais cedo.
No estudo de 2021, essa foi uma das datas em que os grupos foram comparados — com resultado favorável ao grupo que recebeu hiperbárica (11,8% vs. 35,3%).
Avaliação final de satisfação e resultado estético. Em estudos que mediram a sobrevivência final dos enxertos, os resultados entre grupos com e sem OHB foram semelhantes — o benefício da hiperbárica concentra-se mais no conforto e na velocidade da recuperação do que no número final de fios pegos.
Um resumo dos principais pontos levantados pelos estudos citados acima.
O estudo de 2021 encontrou uma diferença expressiva na incidência de coceira e foliculite na área transplantada (11,8% vs. 35,3%).
A revisão de 2024 apontou uma taxa de "shedding" pós-FUE significativamente menor no grupo que recebeu OHB.
No estudo de caso de 2025, as crostas foram completamente eliminadas em 3 a 5 dias, contra um período habitualmente mais longo.
A revisão de 2024 mediu aumento na densidade de colágeno e no comprimento das fibras elásticas na pele tratada com OHB.
Com crostas resolvidas mais cedo, alguns pacientes puderam retomar protocolos de higiene habituais mais rapidamente.
Nos estudos analisados, o uso da OHB no pós-operatório não prejudicou a integração ou a sobrevivência dos folículos transplantados.
Não. O transplante capilar é considerado um procedimento estético, e o uso da OHB para apoiar essa recuperação não está entre as indicações da câmara hiperbárica regulamentadas pela ANS (Resolução CFM nº 1.457/95). Por isso, sessões de hiperbárica nesse contexto são realizadas de forma particular, com pagamento direto à clínica.
Em São Paulo, o valor por sessão particular costuma variar entre R$ 380 e R$ 900, dependendo da clínica, da região (capital, interior ou litoral) e do tipo de câmara utilizada.
Mesmo que esse uso específico não seja coberto, vale entender quando o plano de saúde é obrigado a cobrir a hiperbárica em outras situações.
Não é o que os estudos sugerem como principal benefício. Uma revisão de 2024 encontrou taxa final de sobrevivência dos enxertos semelhante entre quem fez e quem não fez OHB (96,9% vs. 93,8%). O benefício mais consistente está na qualidade da recuperação — menos foliculite, menos coceira e cicatrização mais rápida das crostas — e não em um número maior de fios pegos.
Varia conforme o protocolo. No estudo de caso de 2025, a primeira sessão ocorreu 4 a 6 horas após a cirurgia; em outros estudos, as sessões começaram no dia seguinte. O ponto em comum é que, antes de agendar qualquer sessão, é necessário ter a liberação do cirurgião que realizou o transplante, já que ele conhece a técnica utilizada e os cuidados específicos com a área doadora e receptora.
Os estudos analisados utilizaram sessões diárias durante a primeira semana — 7 dias consecutivos no estudo de 2021 e 6 dias consecutivos no estudo de caso de 2025. Esse foi o protocolo usado nas pesquisas; o número ideal de sessões para o seu caso deve ser definido pelo médico responsável pelo seu transplante.
Não. Nos estudos, a OHB foi sempre utilizada como terapia adjuvante — ou seja, em conjunto com os cuidados pós-operatórios padrão (medicações, lavagens específicas, proteção da área transplantada etc.), e não no lugar deles. Todas as orientações do cirurgião continuam valendo.
Não. Por se tratar de um procedimento estético, esse uso da OHB não está entre as indicações regulamentadas pela ANS, e por isso é realizado de forma particular — em São Paulo, o valor costuma ficar entre R$ 380 e R$ 900 por sessão.
O Dr. Hiperbárica é um portal gratuito que ajuda você a encontrar clínicas de oxigenoterapia hiperbárica em São Paulo (capital, interior e litoral) — considerando localização, preço e tipo de câmara.